O Medo de Assumir que És Terapeuta

Claudia Ramos
4 min de leitura

Já te aconteceu estares numa reunião de família e quando alguém te pergunta o que fazes, responderes qualquer coisa vaga como “trabalho na área da saúde” e mudares de assunto rapidamente?

Já evitaste dizer o nome da tua terapia porque tinhas medo da reação? Já sentiste vergonha de dizer o preço que cobras, como se estivesses a pedir um favor em vez de oferecer um serviço?

Se respondeste sim a alguma destas perguntas, este artigo é para ti.


O problema não é a terapia. És tu.

Não digo isto para magoar. Digo porque é verdade e porque ninguém te vai ajudar se continuares a contornar o assunto.

Trabalho com terapeutas há anos e posso dizer-te com toda a certeza: o maior obstáculo ao sucesso de um negócio de terapias não é a falta de clientes, não é o algoritmo do Instagram, não é o mercado saturado.

É o terapeuta que não acredita suficientemente em si próprio para se assumir em voz alta.

E isso tem um nome. Chama-se medo.


De onde vem este medo?

Vem de vários sítios ao mesmo tempo.

Vem da família que ainda não percebe bem o que fazes e que faz aquela cara quando dizes que és terapeuta holística. Vem de uma sociedade que durante décadas associou saúde mental e bem-estar a fraqueza ou a misticismo. Vem de anos de escola onde te ensinaram que humildade é não te destacares, que falar de ti própria é arrogância.

E vem também de algo mais subtil e mais difícil de admitir: a dúvida sobre se o teu trabalho é mesmo tão válido quanto o de um médico, um advogado, um engenheiro.

É válido. E já era tempo de acreditares nisso.


O que o medo te está a custar

Enquanto não te assumes como terapeuta, estás invisível.

Não estás a ser modesta. Não estás a ser profissional. Estás a esconder-te das pessoas que precisam de ti e que neste momento estão a procurar alguém exatamente como tu — e não te encontram porque decidiste não aparecer.

O teu Instagram está quase anónimo. O teu perfil tem uma bio vaga que podia ser de qualquer pessoa. Os teus preços estão baixos porque subconscientemente achas que não mereces mais. E quando alguém te contacta, começas a sessão a justificar o teu trabalho antes de a pessoa te ter feito uma única pergunta.

Tudo isto tem um custo. Um custo financeiro, claro. Mas também um custo emocional — o cansaço de estares sempre a trabalhar abaixo do teu valor real.


Assumires-te não é arrogância. É responsabilidade.

Há uma pessoa — ou várias — que neste momento precisam de ti especificamente. Do teu método, da tua forma de comunicar, da tua energia, da tua história.

Mas se não te assumires, se não apareças, se não disseres claramente quem és e o que fazes, essas pessoas vão ficar sem ajuda ou vão encontrar alguém que as ajuda menos bem do que tu conseguirias.

Assumires-te não é sobre o teu ego. É sobre as pessoas que precisam de ti.


Por onde começar

Não te estou a pedir que amanhã faças uma live de uma hora a falar da tua vida. Começa pequeno.

Atualiza a tua bio no Instagram com clareza — quem és, para quem trabalhas, como podem contactar-te. Diz o nome da tua terapia sem pedir desculpa. Da próxima vez que alguém te perguntar o que fazes, responde com convicção em vez de baixares o olhar.

São gestos pequenos. Mas são gestos que a tua audiência vê. E são gestos que tu própria precisas de fazer para começares a acreditar no que já sabes que é verdade.

O teu trabalho tem valor. A questão é quando decides agir como se soubesses isso.


Se te reviste neste artigo e sentes que está na hora de mudares isto de vez, fala comigo. É exactamente para isto que estou aqui.

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Claudia Ramos

Escrito por

Claudia Ramos

Especialista em presença digital para terapeutas, ajudando profissionais de saúde a comunicar com autenticidade e a atrair os pacientes certos.

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