Uma peregrinação, 5 lições!

Claudia Ramos
4 min de leitura

Esta semana fiz algo que nunca tinha feito: acompanhei uma pessoa que me é querida a cumprir uma promessa que tinha feito.

Ofereci-me por impulso, confesso, mas sem arrependimento. Ou melhor, no dia anterior eu estava um bocadinho arrependida! 🙂 Isto porque primeiro ofereci-me e depois é que fui pesquisar em que consistia a peregrinação. Nada mais, nada menos do que 30km a subir geograficamente desde o ponto de partida.

Nisto, juntou-se uma outra pessoa, e a equipa era composta por três amigas que muito têm partilhado das suas vidas.

Tudo tratado, tudo combinado. A ideia era sair cedinho e chegar pela hora de almoço. Ainda me espanto quão ingénuo chega a ser o ser humano, às vezes.

A verdade é que cumprimos o horário de saída: 7h30 da manhã, em Guimarães. O GPS dava cerca de 7h. Começamos.

Não vou narrar aqui todos os detalhes, quilómetro a quilómetro. Vou descrever as lições, essas que nos aparecem a cada virar da esquina em qualquer coisa que façamos na vida, basta estarmos atentos.

Vamos ao que interessa: as ditas lições.

1. Já que vais, entra no espírito

    Boa disposição e boas vibes são necessárias para aguentar mais de 7h de caminhada. Cansaço, dores nos pés, e outras coisas que tais fazem parte mas não podem protagonizar o caminho. Rir é o melhor remédio e quando estás bem acompanhada, a luz sempre ganhar às trevas.

    E tu, a que é que estás a dar importância que não vale a pena?

    .

    2. Nem tudo o que faz sentido é confortável

    Houve momentos em que o corpo já não queria continuar.

    Mas a decisão já estava tomada.

    👉 Nem tudo o que é certo é leve.
    👉 Nem tudo o que faz sentido é fácil.

    E isto aplica-se a tudo:

    • decisões de vida
    • escolhas profissionais
    • crescimento pessoal

    Muitas vezes, o desconforto não é um sinal para parar. É um sinal que estás no caminho. Acolhe-o.

    3. Ir acompanhada muda tudo.

    O testemunho é de quem fez a promessa: “Se tivesse ido sozinha… teria sido completamente diferente, e muito mais duro.”

    Houve momentos em que:

    • umas puxavam pelas outras
    • o silêncio era partilhado
    • o cansaço parecia menos pesado

    👉 Crescer acompanhado não é fraqueza.
    É inteligência emocional.

    E no caminho profissional dos terapeutas, isto é ainda mais evidente:
    A solidão pesa. E trava.

    Será que ainda continuas a fazer tudo sozinha, repetindo lealdades ancestrais e atrasando o teu crescimento?

    4. Não precisas ver o caminho todo para continuar

    Houve partes do percurso que pareciam intermináveis.

    Mas fizemos sempre o mesmo:
    👉 focar no próximo passo, no próximo quilómetro, e convém assumir, na próxima paragem. 🙂

    Não nos 30km.
    Não no fim.

    Só no próximo passo.

    E isto mudou tudo.

    Porque muitas vezes desistimos não porque não conseguimos…
    mas porque estamos a olhar para o destino final (quem nem sabemos como é) e não para o agora.

    Aproveitas cada etapa do teu caminho, da tua vida?

    5. Plena Aceitação na prática

    A certa altura, a chuva apareceu. Pânico? Drama? Nada disso.

    Depois de tantos quilómetros, tantas subidas e descidas de deitar as mãos à cabeça, a chuva ia afetar-nos? No way! Rimos, lavamos a cara e a alma, e mais à frente, o sol voltou.

    Se não podemos mudar uma condição, aceitamos e ainda nos juntamos à festa!

    E tu, como lidas com os teus “dias de chuva”. Frustração? Ou aceitação?

    Chegar ao final não foi só sobre resistência física.

    Foi sobre:

    • presença
    • conexão
    • escolha

    E talvez a vida seja um bocadinho isto também:

    Continuar, mesmo quando não é fácil.
    Mas com intenção.

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    Claudia Ramos

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    Claudia Ramos

    Especialista em presença digital para terapeutas, ajudando profissionais de saúde a comunicar com autenticidade e a atrair os pacientes certos.

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