Uma peregrinação, 5 lições!
Esta semana fiz algo que nunca tinha feito: acompanhei uma pessoa que me é querida a cumprir uma promessa que tinha feito.
Ofereci-me por impulso, confesso, mas sem arrependimento. Ou melhor, no dia anterior eu estava um bocadinho arrependida! 🙂 Isto porque primeiro ofereci-me e depois é que fui pesquisar em que consistia a peregrinação. Nada mais, nada menos do que 30km a subir geograficamente desde o ponto de partida.
Nisto, juntou-se uma outra pessoa, e a equipa era composta por três amigas que muito têm partilhado das suas vidas.
Tudo tratado, tudo combinado. A ideia era sair cedinho e chegar pela hora de almoço. Ainda me espanto quão ingénuo chega a ser o ser humano, às vezes.
A verdade é que cumprimos o horário de saída: 7h30 da manhã, em Guimarães. O GPS dava cerca de 7h. Começamos.
Não vou narrar aqui todos os detalhes, quilómetro a quilómetro. Vou descrever as lições, essas que nos aparecem a cada virar da esquina em qualquer coisa que façamos na vida, basta estarmos atentos.
Vamos ao que interessa: as ditas lições.
1. Já que vais, entra no espírito
Boa disposição e boas vibes são necessárias para aguentar mais de 7h de caminhada. Cansaço, dores nos pés, e outras coisas que tais fazem parte mas não podem protagonizar o caminho. Rir é o melhor remédio e quando estás bem acompanhada, a luz sempre ganhar às trevas.
E tu, a que é que estás a dar importância que não vale a pena?
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2. Nem tudo o que faz sentido é confortável
Houve momentos em que o corpo já não queria continuar.
Mas a decisão já estava tomada.
👉 Nem tudo o que é certo é leve.
👉 Nem tudo o que faz sentido é fácil.
E isto aplica-se a tudo:
- decisões de vida
- escolhas profissionais
- crescimento pessoal
Muitas vezes, o desconforto não é um sinal para parar. É um sinal que estás no caminho. Acolhe-o.
3. Ir acompanhada muda tudo.
O testemunho é de quem fez a promessa: “Se tivesse ido sozinha… teria sido completamente diferente, e muito mais duro.”
Houve momentos em que:
- umas puxavam pelas outras
- o silêncio era partilhado
- o cansaço parecia menos pesado
👉 Crescer acompanhado não é fraqueza.
É inteligência emocional.
E no caminho profissional dos terapeutas, isto é ainda mais evidente:
A solidão pesa. E trava.
Será que ainda continuas a fazer tudo sozinha, repetindo lealdades ancestrais e atrasando o teu crescimento?
4. Não precisas ver o caminho todo para continuar
Houve partes do percurso que pareciam intermináveis.
Mas fizemos sempre o mesmo:
👉 focar no próximo passo, no próximo quilómetro, e convém assumir, na próxima paragem. 🙂
Não nos 30km.
Não no fim.
Só no próximo passo.
E isto mudou tudo.
Porque muitas vezes desistimos não porque não conseguimos…
mas porque estamos a olhar para o destino final (quem nem sabemos como é) e não para o agora.
Aproveitas cada etapa do teu caminho, da tua vida?
5. Plena Aceitação na prática
A certa altura, a chuva apareceu. Pânico? Drama? Nada disso.
Depois de tantos quilómetros, tantas subidas e descidas de deitar as mãos à cabeça, a chuva ia afetar-nos? No way! Rimos, lavamos a cara e a alma, e mais à frente, o sol voltou.
Se não podemos mudar uma condição, aceitamos e ainda nos juntamos à festa!
E tu, como lidas com os teus “dias de chuva”. Frustração? Ou aceitação?
Chegar ao final não foi só sobre resistência física.
Foi sobre:
- presença
- conexão
- escolha
E talvez a vida seja um bocadinho isto também:
Continuar, mesmo quando não é fácil.
Mas com intenção.
